Invenção x inovação

RESUMO dos textos:

BARBIERI, José Carlos. Os inventores no Brasil: Tipos e modalidade de incentivos. RAE, v. 39, n.2, abr/jun. 1999

BARBIERI, José Carlos. A contribuição da área produtiva no processo de inovações tecnológicas. RAE. V.37, n.1, jan/mar. 1997.

Invenção x Inovação

Para falar de inovação é necessário entender o processo em que ela ocorre. A inovação começa como uma invenção e uma invenção tem início na criatividade que se originou de uma idéia, da imaginação. Portanto, o processo de inovação inicia-se na imaginação. E para imaginar, o que é preciso? É necessário uma mente livre de preconceitos, está liberto de regras rígidas, é ter uma imaginação de criança. Assim, inovar não é uma invenção e nem uma idéia genial, é colocar a idéia em prática após identificar  oportunidades.

Processo de inovação

Imaginação Criatividade Invenção Inovação

 

É importante clarear quais são as diferenças entre invenção e inovação. Segundo Betz, (1994, p.8) citado por Barbieri (1999, p.58) a inovação começa como invenção, uma idéia de como fazer alguma coisa. Assim, como processo, a inovação tecnológica envolve diferentes agentes diferentes etapas, sendo a invenção apenas uma delas, embora nem toda invenção se transforme em inovação por diferentes motivos, seja por não estar bem desenvolvida do ponto de vista técnico, seja por não atender às necessidades de mercado.

Barbieri (1997, p.67) distingue dois tipos de inovação:

Radical ou pioneira: aquela que introduz novidades absolutas. Não são conhecidas ou usadas antes que a empresa inovadora as introduzisse. É completamente nova.

Exemplo: Luz elétrica

Relativa ou incremental: Introdução de soluções/inovações, embora elas já fossem conhecidas ou utilizadas por outras. A novidade é relativa, pois as mudanças tecnológicas já estariam incorporadas em outras unidades produtivas da empresa ou em outros locais. Neste tipo de inovação, agrega-se valor a um produto/serviço já existente. É relativa para a empresa inovadora.

Aquela idéia maravilhosa, muitas vezes chega a uma invenção, mas não se transforma em inovação, isto ocorre, pois a excelência técnica de uma invenção não é a única condição para o sucesso de uma inovação; o custo de produção é elevado; o momento para o lançamento do novo produto pode ser inoportuno; as vantagens reais que o produto traz em relação aos produtos similares ou àqueles pretende substituir não são bem divulgados e outras considerações de cunho operacional e mercadológico.

Portanto, para que uma idéia, a invenção se transforme em inovação é necessário que projeto seja viável em termos técnicos, mercadológicos e financeiros.

O Inventor

No final do século XIX, cientistas e tecnólogos foram reunidos sob o comando de empresários em laboratórios de pesquisa. Quem iniciou esta técnica foi o inventor Thomas Alva Édison que em 1876 iniciou o primeiro laboratório com pesquisadores contratados para desenvolver pesquisas industriais com objetivos comerciais.

Percebe-se, então, a mudança neste período da fase artesanal, quando o inventor trabalhava em sua oficina para desenvolver novos artefatos para a fase de manufatura, quando se cria os laboratórios de pesquisa industriais. Nesta segunda fase, os inventos eram orientados para objetivos comerciais, portanto, com foco para transformar seus inventos em inovação logo que tivessem pronto.

A terceira fase é a do inventor assalariado. Nesta época surge a carreira do pesquisador e do departamento de pesquisa e desenvolvimento experimental (P&D). Aqui, pensa-se que o inventor isolado seria extinto. A quarta fase é a dos departamentos técnicos: o progresso técnico é automatizado e há menos dependência das iniciativas pessoais.

Galbraith chega a afirmar que “a maioria das invenções baratas e simples já foram feitas, de modo que o desenvolvimento técnico tornou-se território de cientistas e engenheiros, só podendo ser levado adiante por uma firma que possua recursos em consideráveis proporções” (Galbraith, 1952:90-2). Entretanto, após ele fazer esta afirmação, várias invenções baratas e simples foram feitas o que torna esta sua afirmação não verdadeira. Ressalte-se que, até hoje, cada vez que se cria uma inovação, é possível agregar novas invenções a estas inovações. Exemplo: o celular, quantos acessórios baratos e simples já foram criados para ele?

O que se percebe é que os inventores individuais e os departamentos de P&D vão desenvolver inventos em áreas distintas, assim, não há competição entre eles uma vez que os inventores individuais concentram atenção em áreas negligenciadas pelas empresas. Grande parte dos inventos criados por esse tipo de inventor tem suas origens no seu próprio cotidiano doméstico e profissional, a exemplo da dona de casa que inventa utensílios domésticos (escorredor de arroz), do médico de aperfeiçoa instrumentos cirúrgicos, do mecânico de automóveis que concebe novos dispositivos antifurto, do eletricista que cria um alicate que corta e desencapa fios ao mesmo tempo, do professor de educação física que cria aparelhos de ginástica, da professora que inventa objetos pedagógicos ou do empresário que aperfeiçoa os produtos e processos de produção da sua empresa.

As empresas comparecem praticamente em todas as áreas técnicas. Estas predominam sempre, quando não de forma exclusiva, em áreas de maior dinamismo tecnológico, tais como em pesquisas sobre conservação de corpos, biocidas, repelentes ou atrativos de pestes ou reguladores de crescimentos; próteses, aparelhos ortopédicos etc.

Mas o grande problema que os inventores individuais tiveram e continuam a ter é o sistema de patentes, que é muito formalista e burocratizado, precisando de escritórios especializados em patentes para auxiliar os inventores e isto inviabiliza que os inventores solicitem suas patentes.

No site do INPI está disponibilizado a Lei número 9.279, de 1996, que regulamenta as patentes brasileiras. Lá, dentre outras coisas, você encontra que:

O invento é do empregador quando decorrer de contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha como objeto de pesquisa  ou a atividade inventiva ou resulte esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado.

O invento é dividido em partes iguais quando resultante da contribuição pessoal do empregado e de recursos, dados, meios, materiais, instalações e equipamentos do empregador, ressalvada expressa disposição contratual em contrário.

O invento é do empregado quando desvinculado do contrato de trabalho e não decorrente da utilização daqueles recursos e meios do empregador mencionados.


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